CMV alto: diagnóstico e plano de 30 dias para baixar
Você fechou o mês, olhou o número e o CMV veio 5, 8, às vezes 10 pontos acima do que deveria. A primeira reação é desconfiar de todo mundo; a segunda é achar que a conta está errada. Calma: CMV alto quase nunca tem uma causa única, e a boa notícia é que dá para diagnosticar em uma semana e corrigir a maior parte em 30 dias.
Antes de tudo: confirme que o número está certo
CMV = (estoque inicial + compras do período − estoque final) ÷ faturamento. Parece simples, mas a maioria dos CMVs 'estourados' que já vi tinha erro de cálculo antes de ter erro de operação.
Os erros mais comuns: contagem inicial ou final feita de qualquer jeito (aí o CMV oscila loucamente mês a mês), notas fiscais de compra que entraram no período errado, e faturamento bruto misturado com líquido. Se o seu CMV pula de 29% para 41% e volta para 31%, o problema provavelmente é medição, não operação.
- Faça as duas contagens (inicial e final) com o mesmo método e a mesma pessoa responsável
- Confira se todas as NFs de compra do período foram lançadas — inclusive as pagas em dinheiro
- Use sempre o mesmo faturamento na base (ideal: receita líquida de cancelamentos)
As causas, em ordem de probabilidade
Depois de validar o cálculo, investigue nesta ordem — do mais provável ao menos provável. Não pule direto para 'estão roubando': desvio é a causa menos frequente, e começar por ela destrói o clima da equipe.
- 1. Preço de compra subiu e o cardápio não acompanhou — compare a última NF de cada insumo-chave com a de 3 meses atrás
- 2. Fichas técnicas desatualizadas — a receita mudou, a gramatura mudou, mas o custo teórico ficou o mesmo
- 3. Porcionamento sem balança — cada cozinheiro serve uma quantidade; 15 g a mais de proteína por prato viram ponto de CMV no fim do mês
- 4. Mix de vendas mudou — cresceu a venda dos itens de margem baixa (promoções, delivery com desconto)
- 5. Perdas não registradas — validade vencida, erro de produção, prato devolvido
- 6. Desvio — só investigue aqui depois de eliminar as cinco acima
Plano de 30 dias
Semana 1: contagem completa bem-feita + revisão da ficha técnica dos 10 itens mais vendidos (eles costumam responder por 60-70% do consumo). Semana 2: renegocie ou troque fornecedor dos 5 insumos de maior gasto — pegue as NFs e ligue; só o ato de cotar já derruba preço. Semana 3: balança na linha de produção e porcionamento padronizado nos pratos campeões de venda. Semana 4: nova contagem completa, compare o CMV real do mês com o teórico das fichas.
A diferença entre CMV real e teórico é o seu mapa: se o teórico está alto, o problema é preço/receita; se o real está muito acima do teórico, o problema é operação (porção, perda, desvio).
Que número perseguir
Não existe CMV 'certo' universal, mas existem faixas de referência no Brasil: restaurante à la carte entre 28% e 33%, self-service por quilo entre 33% e 38%, hamburgueria entre 28% e 32%, bar (bebidas) entre 20% e 25%. Pizzaria costuma trabalhar mais baixo, na casa dos 25% a 30%.
Se você está 5 pontos acima da faixa do seu formato, a meta do primeiro mês não é chegar no ideal — é recuperar 2 a 3 pontos. É o que dá para fazer com ajuste de porção e renegociação, sem mexer em cardápio.
Qual é um CMV considerado alto?
Depende do formato: acima de 35% em restaurante à la carte, acima de 38% em self-service ou acima de 27% em bebidas de bar já merece investigação. Mais importante que o número absoluto é a tendência: 3 pontos de alta em relação à sua própria média é sinal de alerta.
Preciso aumentar preço para baixar o CMV?
Nem sempre, e não deve ser o primeiro movimento. Antes teste renegociar compras, padronizar porções e corrigir fichas técnicas — isso costuma recuperar 2 a 4 pontos sem tocar no cardápio. Reajuste de preço entra quando a inflação de insumos é estrutural.
Com que frequência devo calcular o CMV?
Mensal é o mínimo para gestão; quinzenal é o ideal quando o CMV está fora da meta, porque encurta o ciclo entre erro e correção. Para itens críticos e caros (proteínas, destilados), vale acompanhamento semanal só desses grupos.
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