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Fornecedor aumentou o preço: renegociar, substituir ou reprecificar?

A nota chegou e o item que custava X agora custa X + 20%, sem aviso, sem carta, sem dó. A raiva é legítima — mas reagir no impulso (brigar com o vendedor, trocar de fornecedor às cegas, subir o cardápio inteiro) costuma custar mais caro que o próprio aumento. Existe uma ordem certa de reação, e ela começa com uma conta, não com um telefonema.

Antes de reagir: meça o tamanho real do estrago

Nem todo aumento merece guerra. Um insumo que representa 1% do seu CMV subindo 30% muda quase nada; um que representa 12% subindo 15% é emergência. Por isso o primeiro passo é responder três perguntas: quanto desse item eu compro por mês? Em quais pratos ele entra? Quantos pontos percentuais isso adiciona ao meu CMV?

Faça a curva ABC das suas compras: em geral, 20% dos itens concentram 80% do gasto. Se o aumento caiu num item da curva A (proteínas, o chope, o destilado carro-chefe), siga para as três frentes abaixo. Se caiu na curva C, anote no radar de preços e siga a vida — seu tempo vale mais.

Frente 1 — Renegociar: você tem mais poder do que imagina

Fornecedor de food service vive de recorrência. Um restaurante que compra toda semana, paga em dia e não devolve mercadoria é um cliente que ele não quer perder — use isso.

Frente 2 — Substituir: troque com critério, não no desespero

Trocar de fornecedor ou de insumo funciona — desde que o cliente não perceba diferença onde ela importa. A regra prática: itens que aparecem no prato com protagonismo (a proteína principal, o gin do drink assinatura) exigem teste antes da troca; itens de bastidor (óleo de fritura, fundo de molho, guarnições processadas) aceitam substituição mais rápida.

O teste é simples: prepare o prato com o insumo atual e com o candidato, sirva às cegas para 3 ou 4 pessoas da equipe e só troque se ninguém apontar queda. E atualize a ficha técnica na hora — insumo novo com rendimento diferente muda o custo real da receita, e é aí que muita troca 'barata' sai cara.

Frente 3 — Reprecificar: repasse cirúrgico, não linear

Se renegociação e substituição não resolverem, o repasse é legítimo — mas só nos pratos que usam o insumo, e na proporção certa. Subir o cardápio inteiro porque a carne aumentou pune o cliente do risoto e treina todo mundo a achar sua casa cara.

Calcule pelo consumo da ficha técnica: se o prato leva 220 g de um insumo que subiu R$ 6/kg, o custo do prato subiu R$ 1,32 — o reajuste precisa cobrir isso mantendo sua margem-alvo, e pode ser arredondado para um preço psicológico (de R$ 49 para R$ 52, não para R$ 50,32). Aproveite para olhar a engenharia do cardápio: às vezes a resposta não é subir o preço, e sim dar destaque a um prato de margem alta e aposentar o que só dava trabalho.

Monte um radar de preços para não ser pego de surpresa de novo

Aumento pego na hora da nota é aumento que já entrou no seu custo. Quem registra o preço de cada compra enxerga a tendência antes: o item que subiu 4% em três notas seguidas vai subir de novo. Guarde os XMLs das notas fiscais, acompanhe o preço médio dos seus 20 itens principais e estabeleça um gatilho — variação acima de 8% em 30 dias dispara cotação com concorrentes automaticamente. Essa rotina de 15 minutos por semana é o que separa quem negocia de quem só paga.

Exemplo na prática: A fraldinha subiu de R$ 32 para R$ 38/kg (+18,75%). O parrillero da casa leva 220 g: custo do prato subiu R$ 1,32. O prato de R$ 49 tinha CMV de 31%; sem ação, iria a 33,7%. Decisão: renegociou para R$ 36 fechando volume mensal de 80 kg, e subiu o prato para R$ 52. Resultado: CMV do prato voltou a 30,4% e o cliente absorveu R$ 3 num prato âncora — nenhuma reclamação em 60 dias.
Como a MISE ajuda: O MISE importa o XML das suas notas fiscais e guarda o histórico de preço de cada produto. Quando o fornecedor sobe o preço, você vê na hora — item por item, nota contra nota — em vez de descobrir no fechamento do mês. Com o custo real atualizado, a decisão entre renegociar, trocar ou repassar deixa de ser chute.

Devo repassar o aumento imediatamente ou esperar?

Meça primeiro: se o impacto no CMV total for menor que 0,5 ponto percentual, dá para segurar e agrupar com o próximo reajuste. Se for maior que 1 ponto, repasse cirúrgico em até 30 dias — cada semana de espera é margem que não volta.

Quantas cotações preciso ter de cada insumo importante?

Duas alternativas ativas para cada item da sua curva A. Não precisa comprar dos três — precisa que os três saibam que você cota. Fornecedor que sabe que é comparado aumenta menos e avisa antes.

Como saber se o aumento é do mercado ou só do meu fornecedor?

Cote o mesmo item com dois concorrentes e olhe indicadores públicos (CEPEA para proteínas, boletins de CEASA para hortifrúti). Se todo mundo subiu, a conversa é sobre escalonamento e prazo; se só o seu subiu, a conversa é outra — e a cotação na mão resolve rápido.

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