Começar grátis

Quanto de estoque ter: nem capital parado, nem prateleira vazia

Estoque grande demais é dinheiro parado apodrecendo na câmara fria; estoque pequeno demais é o 86 no meio do sábado e o garçom avisando a mesa que 'acabou'. Se você vive oscilando entre os dois — mês com a despensa entupida, mês correndo no atacadista — o problema não é sorte: é que ninguém nunca dimensionou o estoque com número. Vamos dimensionar.

A conta-base: dias de cobertura

Para cada item (ou grupo), a pergunta é: quantos dias esse estoque dura no meu ritmo de consumo? A fórmula: **dias de cobertura = estoque atual ÷ consumo médio diário**. Se você tem 24 kg de filé e consome 4 kg/dia, tem 6 dias de cobertura.

O consumo médio diário sai do seu histórico: consumo do mês ÷ dias de operação. Sem histórico de consumo, use as compras dos últimos 2-3 meses como aproximação (se o estoque está estável, compra ≈ consumo). É por isso que contagem regular importa: ela transforma essa conta de chute em fato.

Referências de cobertura por tipo de item

Não existe número único — existe faixa certa por perecibilidade e prazo de reposição do fornecedor:

Curva ABC: rigor onde dói, folga onde não importa

Liste seus itens por valor consumido no mês. Em quase todo restaurante, 20% dos itens respondem por 70-80% do gasto (curva A) — proteínas, queijos, destilados, azeite. Esses merecem cobertura justa, contagem semanal e pedido calculado.

Os itens B (30% seguintes) aceitam gestão quinzenal. Os C — a cauda longa de temperos, descartáveis miúdos, itens de baixo giro — podem ter estoque folgado sem pesar no caixa: o custo de faltar (uma receita travada) supera o custo de sobrar (poucos reais parados). O erro clássico é o inverso: rigor obsessivo com o palito de dente e o guardanapo, e nenhum controle sobre a picanha.

Quanto capital isso representa (e o teste do estoque inchado)

Regra de bolso: o valor total do estoque de um restaurante saudável fica entre 30% e 60% do CMV mensal — ou seja, entre 9 e 18 dias de cobertura média geral. Se seu CMV é R$ 30.000/mês e sua contagem valorizada dá R$ 45.000, você tem 45 dias de estoque: R$ 25.000 a R$ 30.000 parados sem necessidade, provavelmente com perda de validade embutida.

Para desinchar sem risco: pare de comprar os itens com cobertura acima de 30 dias até normalizarem, queime o excesso em sugestões do chef e produção programada, e só então recalibre o pedido padrão de cada item pela cobertura-alvo. Desinchar estoque é o jeito mais rápido de gerar caixa sem vender mais.

Exemplo na prática: Um restaurante com CMV de R$ 40.000/mês contou o estoque e encontrou R$ 68.000 valorizados — 51 dias de cobertura média. Congelando as compras dos 22 itens com mais de 30 dias de cobertura por três semanas, baixou o estoque para R$ 34.000 (26 dias): liberou R$ 34.000 de caixa vivo, o equivalente a quase um aluguel anual, sem faltar um item sequer no salão.
Como a MISE ajuda: Toda essa matemática precisa de dois dados que a MISE coleta para você: quanto entra (notas fiscais importadas) e quanto tem (contagem por código de barras). Com isso o app mostra o consumo real por item e por período — a base do cálculo de cobertura — e o relatório de contagem valorizada diz quanto capital está parado em cada grupo. Você enxerga na hora quais itens estão com semanas de estoque além do necessário. Grátis para começar em www.mise.ws.

É melhor comprar mais barato em volume ou comprar mais vezes?

Faça a conta dos dois lados: o desconto por volume precisa superar o custo do capital parado mais o risco de perda por validade. Em secos e bebidas (sem risco de vencimento próximo), volume costuma valer. Em perecíveis, quase nunca — o 'desconto' vira lixo na câmara fria.

Como calcular estoque mínimo e ponto de pedido?

Estoque mínimo = consumo diário × prazo de entrega do fornecedor × margem de segurança (1,3 a 1,5). Se você usa 4 kg/dia de um item e o fornecedor leva 2 dias, o ponto de pedido fica em torno de 10-12 kg: chegou nisso, pede. A margem cobre picos de movimento e atraso de entrega.

Estoque alto não é segurança contra alta de preços?

Só para itens não perecíveis, com alta de preço realmente anunciada, e se o caixa permitir sem aperto. Como estratégia permanente, é ruim: o dinheiro imobilizado deixa de cobrir oportunidades melhores, e estoque grande esconde perdas, dificulta contagem e convida ao desperdício.

Coloque em prática com a MISE

Contagem por código de barras, CMV automático e relatório de perdas. Grátis, sem cartão.

Criar conta grátis