Rendimento de garrafa: quantas doses saem de 700 ml e 1 litro (e quantas está a perder)
Por mise · Atualizado em 18/09/2026
Resposta rápida: com a dose habitual de 50 ml, uma garrafa de 700 ml rende 14 doses, a de 750 ml rende 15 e a de 1 litro rende 20. Uma garrafa de vinho de 750 ml dá 5 copos de 150 ml ou 6 de 125 ml. Na prática, com quebras de serviço, um bar bem gerido vende entre 90% e 95% dessas doses.
Uma garrafa de 700 ml de gin rende 14 doses de 50 ml — no papel. Ao balcão, com dose servida ao olho, mão pesada e fundo de garrafa desperdiçado, o rendimento real fica entre 11 e 12. Essas duas ou três doses que desaparecem por garrafa são a diferença entre um bar que fecha o mês com margem e outro que "vende bem mas não sobra nada".
A tabela que qualquer responsável de bar devia saber de cor
Com a dose de 50 ml, a mais usada na restauração portuguesa para um copo de destilado, o rendimento teórico é fácil de decorar:
| Formato | Doses de 50 ml | Doses de 40 ml | Shots de 30 ml |
|---|---|---|---|
| 700 ml (gin, rum e whisky importados) | 14 | 17,5 | 23 |
| 750 ml (licores, vermute, aguardentes) | 15 | 18,7 | 25 |
| 1 litro | 20 | 25 | 33 |
| 1,5 litros (magnum) | 30 | 37,5 | 50 |
| 1,75 litros (garrafão) | 35 | 43,7 | 58 |
| 3 litros (garrafão de balcão) | 60 | 75 | 100 |
O vinho a copo e a cerveja de pressão contam-se por outra medida. Uma garrafa de vinho de 750 ml serve 5 copos de 150 ml, que é o copo padrão de carta, ou 6 copos de 125 ml se o vinho for servido em copo curto. Na pressão, um barril de 30 litros dá 150 imperiais de 20 cl e um de 50 litros dá 250 — antes da espuma, que leva mais 5% a 8% se a pressão e a temperatura não estiverem certas.
| Bebida | Formato | Medida de serviço | Serviços por unidade |
|---|---|---|---|
| Vinho tinto ou branco a copo | 750 ml | 150 ml | 5 |
| Vinho em copo curto | 750 ml | 125 ml | 6 |
| Espumante a copo | 750 ml | 120 ml | 6 |
| Vermute com gelo | 1 litro | 100 ml | 10 |
| Gin para gin tónico | 700 ml | 50 ml | 14 |
| Cerveja de pressão (imperial) | Barril de 30 l | 20 cl | 150 |
| Cerveja de pressão (caneca) | Barril de 50 l | 50 cl | 100 |
Regra de bolso: compare sempre o custo POR DOSE e não por garrafa. O litro ganha quase sempre: traz 43% mais produto do que a de 700 ml e costuma custar só 15% a 25% mais.
Servir ao olho: o imposto invisível de 10% a 20%
Os estudos de operação de bar mostram que um empregado de balcão a servir ao olho, sem medida, se engana em média 5 a 10 ml a mais por dose — e o erro cresce ao fim da noite e nas horas de ponta. Parece pouco, mas 10 ml a mais numa dose de 50 ml são 20% de excesso: a garrafa de 14 doses passa a render 11,6.
Um medidor ou um bico doseador custa menos de 10 € por posto e resolve. A resistência da equipa é real (servir ao olho tem o seu charme de balcão), mas a conta não perdoa: um bar que vende 40 garrafas de destilado por semana com 15% de excesso deita fora o equivalente a 6 garrafas por semana.
Fundo de garrafa, quebra e prova: as perdas pequenas que somam
Além da dose ao olho, o rendimento cai por perdas pequenas e repetidas: o fundo da garrafa que não chega para uma dose e vai para o copo "reforçado", a garrafa que parte no armazém, o gole de prova para "ver se está bom". Cada uma é aceitável isolada; sem registo, transformam-se num buraco de 3% a 5% no stock.
A regra operacional: o fundo de garrafa regista-se (transfere-se para a garrafa seguinte ou marca-se como quebra), a garrafa partida regista-se na hora e com foto, e a prova tem limite combinado. O que não é registado não existe — e aparece como diferença inexplicada na contagem.
Como medir o rendimento real do SEU bar
Escolha os cinco destilados de maior rotação e faça este teste durante duas semanas: aponte quantas garrafas de cada um foram abertas (contagem de stock) e quantas doses foram vendidas no mesmo período (relatório do POS). Divida doses vendidas por garrafas consumidas.
Se o gin de 700 ml está a render 12,9 doses vendidas por garrafa, o rendimento real é 92% do teórico — aceitável. Abaixo de 90% há dinheiro a escorrer: comece pelo medidor e pela regra de ofertas registadas, que juntos resolvem a maior parte dos casos.
Quantas doses tem uma garrafa de 700 ml?
14 doses de 50 ml, que é a dose habitual em Portugal. Em shots de 30 ml, a mesma garrafa rende 23. Na prática, com quebras de porcionamento, os bares bem geridos vendem entre 12,5 e 13,5 doses por garrafa de 700 ml.
Compensa mais comprar garrafa de 1 litro ou de 700 ml?
Quase sempre a de 1 litro: traz 43% mais produto e costuma custar só 15% a 25% mais. Compare sempre o custo por dose — se o litro custa 24,00 € (1,20 €/dose) e a de 700 ml custa 19,00 € (1,36 €/dose), o litro poupa 0,16 € em cada dose vendida.
Dose ao olho ou medidor no balcão?
Medidor, salvo em coquetelaria de autor com equipa formada e auditada. A dose ao olho engana-se em média 5 a 10 ml, o que corta 2 a 3 doses de cada garrafa — perda de 15% a 20% do produto sem qualquer receita em troca.
Porque é que a média não serve para a garrafa
Nos Estados Unidos a mediana de food cost em serviço completo está nos 32,0% (National Restaurant Association, mais de 900 operadores); no Brasil, a ABF mede 34,3%. São mercados e cabazes de produto diferentes — e é por isso que o balcão tem um intervalo próprio, aqui indicado como referência do setor: 18% a 25% nas bebidas.
O erro comum é perseguir o número de outro formato. O caminho que funciona é medir o seu com contagem real, comparar consigo mesmo mês a mês e agir sobre a referência que mais pesa — não sobre a média.
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Criar conta grátisPerguntas frequentes
Quantas doses saem de uma garrafa de 700 ml?
Saem 14 doses de 50 ml, que é a dose habitual em Portugal, ou 23 shots de 30 ml. Com as quebras normais de serviço, um bar bem gerido vende entre 12,5 e 13,5 doses por garrafa de 700 ml.
Quantos copos de vinho saem de uma garrafa?
Uma garrafa de 750 ml dá 5 copos de 150 ml, que é o copo padrão de carta, ou 6 copos de 125 ml. Se serve vinho a copo, meça o que sai com uma proveta pelo menos uma vez por mês: a diferença entre 150 e 180 ml por copo come um copo inteiro de cada garrafa.
Compensa comprar a garrafa de 1 litro ou a de 700 ml?
Quase sempre a de litro, porque traz 43% mais produto por 15% a 25% mais de preço. A forma correta de decidir é o custo por dose: 24,00 € o litro dão 1,20 € por dose de 50 ml, contra 1,36 € se pagar 19,00 € pelos 700 ml.
Dose ao olho ou medidor?
Medidor, salvo em coquetelaria de autor com equipa formada e auditada. Servir ao olho engana-se em média 5 a 10 ml por dose, o que equivale a oferecer 2 ou 3 doses de cada garrafa. Um medidor custa menos de 10 € por posto e paga-se com a primeira garrafa que deixa de fugir.
Como registo as garrafas abertas na contagem?
Em décimos: uma garrafa a meio é 0,5 e uma quase vazia é 0,1. Com uma balança é ainda mais rápido, porque pesa a garrafa e desconta a tara. O essencial é que todas as garrafas abertas do balcão e do armazém entrem na contagem, ou o food cost das bebidas sai inflacionado num mês e afundado no seguinte.
Quantas imperiais rende um barril?
Um barril de 30 litros dá 150 imperiais de 20 cl e um de 50 litros dá 250, no rendimento teórico. Com espuma, temperatura mal regulada e as primeiras canecas de cada barril, conte com menos 5% a 8% — e compare sempre os litros comprados com os litros vendidos no POS.
De quanto em quanto tempo devo medir o rendimento do balcão?
Uma vez por mês para o conjunto das bebidas e em semanas isoladas para as cinco referências de maior rotação. Duas semanas de teste chegam para ver se o rendimento real está acima ou abaixo de 90% do teórico, que é o limiar a partir do qual vale a pena intervir.