Stock mínimo e ponto de encomenda: quando comprar e quanto manter
Por mise · Atualizado em 18/09/2026
Resposta rápida: ponto de encomenda = (consumo médio diário × prazo de entrega do fornecedor em dias) + stock de segurança. Exemplo desta página: um artigo que consome 8 kg por dia, com fornecedor que entrega em 3 dias e stock de segurança de 12 kg, tem ponto de encomenda de 36 kg — quando a contagem chegar a 36 kg, encomenda-se.
Stock mínimo é a quantidade de segurança abaixo da qual não se deve operar; ponto de encomenda é o nível de stock que dispara a compra. Juntos, substituem o "acho que está a acabar" por uma regra numérica que qualquer pessoa da equipa consegue executar sem perguntar a ninguém.
As fórmulas
Ponto de encomenda (PE) = (consumo médio diário × prazo de entrega do fornecedor) + stock de segurança.
Stock de segurança (SS) pode ser calculado de duas formas práticas: a simples, SS = consumo médio diário × dias de margem (1 a 3 dias, conforme a fiabilidade do fornecedor); ou a que protege contra picos, SS = (consumo máximo diário − consumo médio diário) × prazo de entrega.
O prazo de entrega é o tempo entre fazer a encomenda e ter a mercadoria disponível para usar — incluindo o dia de receção e conferência da guia de remessa, não apenas o prazo prometido pelo comercial.
| Conceito | O que é | Fórmula |
|---|---|---|
| Stock de segurança | O colchão que absorve picos de venda e atrasos | (consumo máx. − consumo médio) × prazo de entrega |
| Stock mínimo | O nível abaixo do qual há risco de rutura | Na prática, o próprio stock de segurança |
| Ponto de encomenda | O nível que dispara a compra | (consumo médio × prazo de entrega) + stock de segurança |
| Rutura de stock | Ficar a zero com procura viva | O que acontece quando se ignora o ponto de encomenda |
Exemplo passo a passo
Lombo de novilho numa casa de carnes de bairro: consumo médio de 8 kg por dia, pico de sexta e sábado de 12 kg por dia, fornecedor entrega em 3 dias.
Stock de segurança pela fórmula de pico: (12 − 8) × 3 = 12 kg. Ponto de encomenda: (8 × 3) + 12 = 36 kg. Regra operacional que daí sai: quando a contagem indicar 36 kg ou menos, dispara a encomenda.
Se usasses só a média (24 kg, sem segurança), qualquer fim de semana forte ou um dia de atraso do fornecedor deixava a casa sem o prato principal. Com o lombo a 16,00 €/kg, esses 12 kg de segurança imobilizam 192 € — menos do que custa um sábado sem o produto que enche a sala.
Erros comuns ao definir mínimos
Os três erros que mais aparecem na operação real:
- Usar o mesmo "mínimo" para tudo (do género "2 caixas de cada"). Cada referência importante precisa de cálculo próprio; o palpite genérico dá falta de proteína e montanhas de guardanapos.
- Ignorar a sazonalidade: o consumo médio de imperial em janeiro não serve para julho. Recalcula os mínimos a cada mudança de estação ou de ementa.
- Esquecer que o prazo de entrega real inclui o tempo que a própria casa leva a fazer a encomenda: se o responsável pelas compras só fecha encomendas à segunda-feira, um artigo que atinge o ponto de encomenda na terça espera 6 dias, não 3.
Há um quarto, mais silencioso: definir os mínimos uma vez e nunca mais lhes tocar. Os mínimos são uma fotografia do consumo do momento em que foram calculados; quando muda a ementa, o preço ou o turno, deixam de servir.
Por onde começar: nem todos os artigos merecem o cálculo
Uma despensa de restauração tem centenas de referências e não faz sentido calcular o ponto de encomenda de todas. A divisão clássica ABC resolve bem:
- Classe A — poucas referências, muito dinheiro (bacalhau, carnes, peixe, bebidas brancas, café): cálculo individual e revisão mensal.
- Classe B — consumo médio e preço médio (laticínios, conservas, refrigerantes): fórmula simples, SS = consumo médio × 2 dias.
- Classe C — muitas referências, pouco dinheiro (especiarias, guardanapos, película): mínimo a olho e encomenda por caixa inteira; controlar ao detalhe custa mais do que aquilo que poupa.
Quanto custa mesmo uma rutura de stock
A rutura não se paga só com a venda perdida daquele prato. Paga-se com a mesa que pede outra coisa mais barata, com a avaliação que refere que "metade da ementa não havia", e com a hora que alguém perde a ir comprar a preço de supermercado o que o fornecedor serve a preço de grossista.
Por isso o stock de segurança não é dinheiro desperdiçado: é um prémio de seguro. A pergunta certa não é "quanto imobiliza", mas "quanto custa o dia em que faltar".
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Qual é a diferença entre stock mínimo e ponto de encomenda?
O stock mínimo (ou de segurança) é o colchão que protege contra picos de venda e atrasos do fornecedor. O ponto de encomenda é o nível que dispara a compra: consumo médio diário multiplicado pelo prazo de entrega, somado ao stock de segurança. A encomenda é feita no ponto de encomenda para que a mercadoria chegue antes de começar a comer o stock de segurança.
Como se calcula o ponto de encomenda de um produto?
PE = (consumo médio diário × prazo de entrega em dias) + stock de segurança. Exemplo: um artigo que consome 8 kg por dia, com fornecedor que entrega em 3 dias e 12 kg de segurança, dá um ponto de encomenda de 36 kg. Quando a contagem chega a esse valor, encomenda-se.
Como se define o stock de segurança?
Com duas fórmulas, conforme o caso. A simples: consumo médio diário × 1 a 3 dias de margem, consoante a fiabilidade do fornecedor. A que protege contra picos: (consumo máximo diário − consumo médio diário) × prazo de entrega. Para artigos de classe A convém a segunda; para os restantes, a primeira chega.
Um stock de segurança grande não é imobilizar dinheiro?
É um custo, mas menor do que o da rutura: faltar um artigo importante numa noite cheia custa venda perdida e cliente insatisfeito. A calibragem certa usa 1 a 3 dias de consumo para fornecedores fiáveis e mais margem para os que atrasam, com revisão sempre que o consumo mudar.
O que conta como prazo de entrega do fornecedor?
Todo o tempo entre a decisão de encomendar e o produto estar disponível para usar: o próprio ciclo de compras da casa, o prazo do fornecedor e o dia de receção e conferência da guia de remessa. Se só se fecham encomendas à segunda-feira, esse ciclo entra inteiro no cálculo.
De quanto em quanto tempo se revêem os mínimos?
A cada mudança de estação ou de ementa, e sempre que mudar o fornecedor ou o prazo de entrega dele. Os artigos de classe A merecem revisão mensal; os restantes, trimestral. Um mínimo calculado há um ano descreve um consumo que provavelmente já não existe.
É preciso calcular o ponto de encomenda de todos os artigos?
Não. Vale a pena nas referências de classe A, que são poucas e concentram a maior parte do dinheiro: bacalhau, carnes, peixe, bebidas brancas, café. Nas de classe C (especiarias, guardanapos, película) sai mais caro o controlo do que a poupança: basta um mínimo a olho e encomendar por caixa inteira.