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Como abrir um restaurante: o passo a passo e o que ninguém conta

Abrir é a parte fácil. O que decide se o restaurante sobrevive ao primeiro ano é o que acontece depois da inauguração — e quase sempre é o estoque.

Resposta curta: abrir um restaurante exige CNPJ com CNAE 5611-2/01, alvará da prefeitura, licença sanitária e AVCB dos bombeiros. O investimento inicial costuma ficar entre R$ 80 mil e R$ 300 mil, mas o que quebra a maioria não é o investimento: é o CMV fora de controle nos primeiros meses.

O que é obrigatório antes de abrir

  1. CNPJ e CNAE. 5611-2/01 para restaurante e lanchonete. O regime (Simples, Presumido) muda o imposto e vale conversar com contador antes.
  2. Alvará de funcionamento na prefeitura, ligado ao endereço e ao zoneamento.
  3. Licença sanitária da vigilância, com manual de boas práticas.
  4. AVCB do Corpo de Bombeiros.
  5. Registro no órgão de classe quando há manipulação específica.

Quanto custa, na prática

O intervalo é largo porque três itens dominam: ponto (luvas e reforma), cozinha (equipamento) e capital de giro. A conta que mais falha é a terceira.

ItemFaixa comum
Reforma e adequaçãoR$ 30 mil a R$ 120 mil
Cozinha e equipamentoR$ 25 mil a R$ 100 mil
Estoque inicialR$ 8 mil a R$ 30 mil
Capital de giro (3 meses)R$ 30 mil a R$ 90 mil

O erro que aparece no terceiro mês

Nos primeiros meses ninguém conta estoque. Compra-se pelo olho, o fornecedor entrega, a nota entra na gaveta e o caixa parece bom porque ainda há dinheiro de abertura. Quando o movimento estabiliza, aparece a conta: o CMV está em 40% e ninguém sabe onde foi.

A regra prática: em restaurante saudável, o CMV fica entre 28% e 35% da receita. Acima disso, o lucro do mês já foi para o lixo, para o desvio ou para a compra errada.

A causa quase nunca é roubo. É porção sem padrão, compra em excesso do que estraga, e perda que ninguém registrou.

O que fazer desde o primeiro dia

  1. Conte o estoque antes de abrir. Essa é a contagem inicial, a base de toda comparação futura.
  2. Lance toda nota de compra. Sem entrada não existe custo real.
  3. Conte de novo a cada semana nas primeiras semanas, depois quinzenal.
  4. Compare as duas contagens. A diferença menos o que vendeu é a sua perda, em reais.

Feito assim, no fim do primeiro trimestre você tem número, não sensação.

Como a mise entra nisto

A contagem é a parte chata. Na mise você lê o código de barras com a câmera do celular e o produto aparece completo — nome, marca, categoria, NCM, peso e preço de referência — de uma base com mais de 5 milhões de produtos brasileiros; se o item não estiver nela, a IA acha e classifica na hora. Notas de compra entram por XML, PDF ou foto, o CMV sai calculado e a comparação entre contagens mostra o que sumiu, com valor.

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