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Como precificar o cardápio a partir da ficha técnica e do CMV alvo

Preço copiado do concorrente é loteria: você não conhece o custo dele, a estrutura dele nem a margem dele. Precificação séria começa na ficha técnica de cada prato e termina num CMV alvo definido por você — o resto é conta de padaria, no bom sentido.

Passo a passo para chegar ao preço de venda

O caminho é sempre o mesmo, prato por prato. Não existe atalho que não passe pela ficha técnica.

CMV alvo não é um número só para o cardápio inteiro

Um erro clássico é aplicar 30% em tudo. O cardápio saudável mistura margens: pratos âncora de proteína cara podem rodar a 38% de CMV porque puxam volume, enquanto entradas, sobremesas e drinks compensam a 15-20%. O que importa é o CMV ponderado pelo mix de vendas fechar dentro do alvo global.

Por isso a precificação nunca termina: todo mês, cruze o ranking de vendas com a margem de cada item (engenharia de cardápio). Prato que vende muito com margem baixa merece ajuste de porção ou preço; prato com margem alta e venda fraca merece destaque no cardápio ou no treinamento de sugestão do salão.

Erros que corroem a margem sem você perceber

A maioria dos restaurantes não quebra por precificar errado no dia 1 — quebra por não reprecificar depois.

Exemplo na prática: Um risoto com custo de porção de R$ 9,80 e CMV alvo de 28% vai à mesa por R$ 9,80 ÷ 0,28 = R$ 35,00. Se o arroz arbóreo subir 15% e o custo for a R$ 10,90, manter os R$ 35,00 leva o CMV do prato para 31% — três pontos de margem que só aparecem se alguém recalcular.
Como a MISE ajuda: A MISE calcula o CMV real do período automaticamente a partir das contagens de estoque e das notas fiscais importadas — você compara o CMV teórico da ficha técnica com o realizado e descobre exatamente em quais grupos a margem está vazando.

Qual é um CMV bom para restaurante no Brasil?

A faixa saudável fica entre 28% e 35% do faturamento para restaurantes; pizzarias costumam operar entre 20% e 28% e bares conseguem 18-25% em bebidas. Acima de 38% de forma consistente, quase sempre há problema de compra, porcionamento ou perda.

Preciso de ficha técnica para todos os itens do cardápio?

Sim, mas comece pelos 20% dos pratos que representam 80% das vendas — neles, qualquer erro de custo escala rápido. Depois complete o restante do cardápio em 2-4 semanas.

Com que frequência devo reprecificar o cardápio?

Revise os custos das fichas mensalmente, junto com o fechamento do CMV, e ajuste preços de cardápio a cada 3-6 meses ou quando um insumo-chave variar mais de 10%. No delivery, revise junto com qualquer mudança de comissão da plataforma.

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