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Curva ABC de estoque: classificando insumos por importância no restaurante

A curva ABC ordena os itens do estoque pelo valor que consomem do seu dinheiro, aplicando o princípio de Pareto: uma minoria de itens concentra a maioria do custo. Em restaurante, isso decide onde vale gastar atenção — proteína nobre se conta toda semana; palito de dente, uma vez por mês.

Como as classes A, B e C são definidas

Ordene todos os itens pelo valor de consumo do período (quantidade consumida × custo unitário), calcule o percentual acumulado e corte:

Aplicação prática: atenção proporcional ao valor

A curva ABC define três políticas diferentes. Itens A merecem contagem semanal (ou diária para os campeões, como picanha e camarão), cotação com 3 fornecedores, estoque mínimo apertado e ficha técnica rigorosa — 1% de desperdício num item A dói mais que 20% num item C. Itens B seguem contagem quinzenal e cotação com 2 fornecedores. Itens C ganham contagem mensal, compra em lote maior e o mínimo de burocracia possível.

O erro clássico é o inverso disso: gerente que passa uma hora conferindo guardanapo e canudo enquanto o filé sai da câmara fria sem pesagem. A curva ABC existe para matar essa distorção.

Recalcule a curva — ela muda

Cardápio novo, prato que virou hit, salto de preço de um insumo: tudo isso move itens de classe. Recalcular a curva a cada trimestre é suficiente para a maioria das operações; a cada mudança grande de cardápio é obrigatório. Item que subiu de B para A precisa entrar imediatamente no ciclo de contagem semanal.

Exemplo na prática: Restaurante com 400 itens cadastrados e R$ 60.000 de consumo mensal: os 80 itens da classe A somam R$ 45.000 (75%), os 120 da classe B somam R$ 11.000 (18%), e os 200 itens da classe C somam apenas R$ 4.000 (7%). Contar os 80 itens A toda semana cobre três quartos do dinheiro com um quinto do esforço.
Como a MISE ajuda: Como a MISE valoriza cada contagem e apura o consumo entre contagens item a item, o ranking por valor consumido sai pronto — é a curva ABC montada com dados reais da sua operação, e não com estimativa de planilha. Daí é só agendar contagens parciais mais frequentes para os itens do topo.

Como montar a curva ABC do estoque de um restaurante?

Liste todos os itens com o valor consumido no período (quantidade × custo), ordene do maior para o menor, calcule o percentual acumulado e corte: até ~75% do valor é classe A, de 75% a ~95% é classe B, o restante é classe C.

Com que frequência devo contar cada classe?

Prática comum em food service: classe A toda semana (proteínas e destilados campeões podem ser diários), classe B a cada 15 dias e classe C uma vez por mês. Isso concentra o esforço de contagem onde está o dinheiro.

Item caro é sempre classe A?

Não. A classificação usa o valor consumido no período, não o preço unitário. Um insumo caríssimo de uso raro pode ser classe C, enquanto a mussarela — barata por quilo, mas consumida aos montes — costuma ser um dos maiores itens A de qualquer pizzaria.

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