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Fator de correção de alimentos: a fórmula que corrige o custo real do insumo

Fator de correção (FC) é a razão entre o peso bruto comprado e o peso líquido aproveitável depois da limpeza: FC = peso bruto ÷ peso limpo. Sem ele, sua ficha técnica calcula custo sobre um alimento que não existe — o quilo de peixe que você paga não é o quilo de filé que vai ao prato.

A fórmula e o custo corrigido

FC = peso bruto ÷ peso líquido. Um alimento com FC 2,0 rende metade do que foi comprado. O uso mais importante é corrigir o custo: custo real do insumo limpo = preço de compra por kg × FC.

Exemplo direto: peixe inteiro a R$ 30/kg com FC 2,5 custa, em filé limpo, R$ 30 × 2,5 = R$ 75/kg. É esse valor — não os R$ 30 da nota — que entra na ficha técnica. Quem precifica pelo preço bruto está subestimando o custo do prato em mais de 100% nesse caso.

Tabela mental dos principais FCs

Faixas de referência usadas em cozinha profissional (o número exato depende do produto, do fornecedor e da habilidade de quem limpa — meça o seu):

Meça o seu FC — e audite de tempos em tempos

Tabela pronta é ponto de partida, não verdade da sua cozinha. Para medir: pese o item bruto na entrada, limpe como de costume, pese o resultado utilizável e divida. Faça em 3 ocasiões e use a média.

O FC também é ferramenta de gestão de gente e de fornecedor: se o FC do salmão subiu de 2,1 para 2,6, ou o fornecedor está mandando peixe menor (mais desperdício proporcional), ou alguém novo na praça está limpando mal. Nos dois casos, é dinheiro saindo pelo ralo da pia — literalmente.

Exemplo na prática: Ficha técnica pede 180 g de filé de peixe limpo por porção. Com FC 2,5, a compra necessária é 180 × 2,5 = 450 g brutos por porção. Para um serviço de 40 porções: 18 kg de peixe inteiro, não 7,2 kg. Quem compra pelo peso líquido da ficha fica sem peixe no meio do serviço — erro clássico de sexta-feira.
Como a mise ajuda: Nas fichas técnicas da mise, cadastre o insumo com o custo já corrigido pelo FC (preço da nota × fator) — assim o custo do prato e o CMV teórico refletem o que realmente vai ao prato, e o cruzamento com o consumo real para de acusar 'perda' que na verdade era casca e apara previstas.

Como calcular o fator de correção de um alimento?

Divida o peso bruto (como comprado) pelo peso líquido aproveitável após limpeza: FC = peso bruto ÷ peso limpo. Um peixe de 2 kg que rende 800 g de filé tem FC = 2 ÷ 0,8 = 2,5.

Para que serve o fator de correção na ficha técnica?

Para corrigir o custo do insumo: custo real por kg limpo = preço de compra × FC. Sem essa correção, o custo do prato fica subestimado e o food cost real estoura o planejado, mesmo com a receita seguida à risca.

Fator de correção e índice de cocção são a mesma coisa?

Não. O fator de correção mede a perda na limpeza (cru bruto → cru limpo). O índice de cocção mede a variação de peso no cozimento (cru limpo → pronto) — carnes encolhem 20% a 35% ao assar, por exemplo. Fichas técnicas precisas usam os dois.

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O custo de errar o CMV em correção de alimentos

A Abrasel apurou que 31% dos bares e restaurantes brasileiros operaram no prejuízo em 2024, e 42% apontam o custo dos insumos como causa principal. Não é falta de movimento: é margem que se perde no estoque.

Em correção de alimentos, com a faixa de referência em referência do setor, cada ponto percentual acima do teto sai direto do lucro. Numa casa que fatura R$ 100 mil por mês, três pontos de CMV a mais são R$ 3 mil que desaparecem sem aparecer em nenhuma conta — porque a perda de estoque não emite boleto.

Fontes: ABF/Galunion, Pesquisa Anual Setorial de Foodservice 2024 (64 marcas, 11.260 PDVs) · Abrasel, painel mensal 2024 · National Restaurant Association, Restaurant Operations Data Abstract 2024.