Food cost de restaurante self-service: porque é 35%–45% e como lá chegar
Por mise · Atualizado em 18/09/2026
Resposta rápida: o food cost ideal de um restaurante self-service fica entre 35% e 45% das vendas líquidas. Acima de 45% há quase sempre reposição sem critério, quebra ao fecho ou preço desatualizado; abaixo de 35%, oferta curta que acaba por afastar clientes. Fórmula: (stock inicial + compras − stock final) ÷ vendas sem IVA.
O food cost (CMVMC, o custo das mercadorias vendidas) diz quanto das vendas foi consumido pelas matérias-primas. Num self-service ou buffet o número saudável é mais alto do que à carta, porque quem decide a dose é o cliente e não a cozinha. Este guia está escrito para a restauração em Portugal, com o caso do buffet a preço fechado e o da venda ao peso.
A fórmula (serve para qualquer operação)
Custo das mercadorias vendidas = stock inicial + compras − stock final · Food cost % = custo ÷ vendas líquidas × 100
Os dois stocks da fórmula só existem com contagem real — uma estimativa não fecha food cost. E as vendas que vão em baixo são as líquidas, sem IVA. Em Portugal o serviço de restauração tem taxa intermédia de 13%: uma refeição anunciada a 11,50 € são 10,18 € de venda real. Dividir pelo preço de ementa com imposto incluído baixa a percentagem quatro a cinco pontos e dá a ilusão de que está tudo bem. Ver o cálculo passo a passo com exemplo →
Porque é que o self-service se calcula de outra maneira: o custo por refeição
Num restaurante à carta o food cost controla-se prato a prato com a ficha técnica. Num self-service não há prato fixo: há um preço por refeição (ou um preço por quilo) e um cliente que se serve à vontade. A unidade de controlo deixa de ser o prato e passa a ser a refeição servida.
Custo por refeição = custo das mercadorias do serviço ÷ número de refeições. Esse valor, dividido pelo preço líquido por refeição, é o seu food cost. É a mesma fórmula, olhada por cabeça e não por receita.
Exemplo com números de um mês
Self-service de almoço, cerca de 100 refeições por dia, 24 dias de serviço, preço médio 11,50 € por refeição (IVA incluído).
- Preço líquido por refeição: 11,50 ÷ 1,13 = 10,18 €
- Refeições do mês: 2.400 → vendas líquidas 24.432,00 €
- Stock inicial: 6.400,00 €
- Compras do mês (faturas de fornecedores): 10.200,00 €
- Stock final: 6.850,00 €
Custo = 6.400 + 10.200 − 6.850 = 9.750,00 €
Food cost = 9.750 ÷ 24.432 = 39,9% — dentro do intervalo.
Custo por refeição = 9.750 ÷ 2.400 = 4,06 €.
Esses 4,06 € são o número a vigiar todas as semanas. Lê-se mais depressa do que a percentagem e avisa mais cedo: se subir para 4,60 € sem que os fornecedores tenham subido, a fuga está na reposição ou na sobra.
Custo por refeição decomposto por família
É assim que se repartem esses 4,06 € num self-service de almoço típico. Substitua pelas suas compras reais; a utilidade está em ver qual é a família que dispara.
| Família | Custo por refeição | Peso |
|---|---|---|
| Proteína (carne, peixe, bacalhau) | 1,80 € | 44,3% |
| Saladas, legumes e fruta | 0,68 € | 16,7% |
| Arroz, batata, massa e guarnições | 0,52 € | 12,8% |
| Sobremesas e laticínios | 0,42 € | 10,3% |
| Pão, azeite, molhos e temperos | 0,34 € | 8,4% |
| Sopa | 0,30 € | 7,4% |
A proteína é quase metade do custo: é aí que se decide o food cost do mês, não no pão. Dois pratos de carne e um de peixe bem rodados rendem mais do que cinco mal calculados, e uma sopa bem colocada no início do percurso alivia a pressão sobre o tabuleiro do bacalhau.
Se vende ao peso em vez de a preço fechado
Muitas casas em Portugal cobram a refeição a preço fechado; outras vendem ao peso, sobretudo em zonas de escritórios e em take-away. A fórmula não muda, muda a unidade: em vez de custo por refeição, custo por quilo servido.
Preço de venda 14,90 €/kg com IVA → 13,19 €/kg líquidos. Custo de matéria-prima por quilo servido: 5,20 €. Food cost = 5,20 ÷ 13,19 = 39,4%.
A diferença de gestão conta: ao peso, quem se serve muito paga muito, por isso o risco da dose passa para o cliente e a quebra do fecho fica a ser o seu único problema a sério. A preço fechado, além da quebra, carrega com a variação de consumo entre uma terça calma e uma sexta cheia. Por isso a preço fechado convém a parte alta do intervalo e ao peso a parte baixa.
Onde um self-service perde dinheiro sem dar por isso
A fuga número um do formato é a reposição sem critério: travessa cheia às 14h30 que às 15h é sobra. Pese a sobra do buffet todos os dias, com uma balança à saída da cozinha e uma folha colada à parede. Oito quilos de sobra a um custo médio de 3,60 €/kg são 28,80 € por dia: em 24 dias, quase 700 € por mês a ir para o lixo.
As outras três fugas do formato:
- Regeneração mal feita. O que se aquece duas vezes vai fora. Produza em tachos por projeção de refeições, não pelo tamanho do recipiente.
- Sem registo de refeições por dia. Se não sabe quantos almoçaram na terça passada, produz por intuição. Aponte refeições por dia e por hora: num mês tem uma previsão melhor do que qualquer palpite.
- Preço congelado. O preço por refeição é o único que tem; se não o revir quando os fornecedores sobem, a margem come-se sozinha. Revisão pelo menos duas vezes por ano.
Além disso: compare contagens todos os meses (as diferenças são as quebras), normalize a produção por tachos e reveja o preço quando a proteína subir.
Plano de 30 dias para baixar o food cost
- Dia 1. Contagem completa de armazém, câmaras e arrecadação. É esse o stock inicial.
- Dias 1 a 7. Balança à saída do buffet: pese a sobra por família (proteína, guarnição, salada, sobremesa) no fim de cada serviço.
- Dias 8 a 14. Registe refeições por dia e por hora. Com duas semanas já se vê o padrão de terça contra sexta.
- Dias 15 a 21. Implante a reposição decrescente e as travessas pequenas na última hora e meia. Volte a pesar a sobra: o efeito vê-se em três dias.
- Dias 22 a 28. Renegoceie as duas famílias de proteína de maior peso em euros e reveja o preço por refeição se está há mais de um ano igual.
- Dia 30. Contagem de fecho, food cost do mês e custo por refeição. Compare com os 4,06 € do exemplo: agora já é o seu número.
A contagem é o que faz o número existir
Tudo o que está acima depende de duas contagens feitas com o mesmo critério. É aí que a maioria desiste: contagem em papel, passar para a folha de cálculo, três horas de um domingo e um número em que ninguém acredita.
Com a mise a contagem faz-se a ler o código de barras com o telemóvel. Os produtos portugueses começam com o prefixo GS1 560, e a IA da mise encontra também o produto importado, pelo código de barras ou pela fotografia do rótulo, e classifica-o. O custo das mercadorias vendidas sai sozinho, por período e por produto, com relatório de quebras. Há 7 dias grátis para experimentar.
Como se compara o self-service com o resto do setor
Não existe uma média pública e auditada de food cost para a restauração em Portugal, por isso desconfie de qualquer número redondo citado sem fonte. A referência setorial que existe com metodologia aberta é brasileira: segundo a ABF com a Galunion, no Brasil a média do food service é de 34,3%, apurada em 64 marcas e 11.260 pontos de venda. O intervalo de 35% a 45% usado aqui é mais alto de propósito, porque em self-service a dose é do cliente e o formato compensa com volume de refeições e com um custo de pessoal por refeição muito mais baixo do que à carta.
Comparar-se com uma média serve para se situar, não para decidir. O número que importa é o seu, medido com o mesmo critério todos os meses. Um food cost de 42% pode ser ótimo numa casa de 140 refeições por dia e péssimo numa de 40: o que manda é o custo por refeição e quantas pessoas entram pela porta.
Fontes: ABF/Galunion, Pesquisa Anual Setorial de Foodservice 2024, Brasil (64 marcas, 11.260 pontos de venda) · National Restaurant Association, Restaurant Operations Data Abstract 2024, Estados Unidos. Os preços e custos do exemplo são de referência e devem ser substituídos pelos das suas faturas.
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Criar conta grátisPerguntas frequentes
Qual é o food cost ideal de um restaurante self-service?
Entre 35% e 45% das vendas líquidas. É mais alto do que num restaurante à carta porque a dose é decidida pelo cliente, e o formato compensa com volume de refeições e menos custo de pessoal por refeição. O ponto exato depende do preço por refeição e de quantas pessoas entram por serviço.
Como se calcula o food cost num buffet a preço fechado?
Como em qualquer restaurante: stock inicial + compras − stock final, a dividir pelas vendas líquidas do mesmo período. A diferença está na leitura: divida o custo pelo número de refeições servidas para ter o custo por refeição e compare-o com o preço líquido por refeição.
Qual é o custo por refeição razoável?
Depende do seu preço. Se vende a refeição a 11,50 € com IVA, o preço líquido é 10,18 € e um custo por refeição de 4,06 € deixa-o em 39,9%, dentro do intervalo. A regra prática: o custo por refeição não deve passar de 45% do preço líquido.
Porque sobe o food cost de um self-service?
O motivo clássico do formato é a reposição sem critério: travessa cheia às 14h30 que às 15h é sobra. Depois vêm a regeneração mal feita, a produção calculada pelo tamanho do tacho em vez do número de refeições previstas e o preço por refeição que está há anos sem ser revisto.
E se vender ao peso em vez de a preço fechado?
A fórmula é a mesma, mas a unidade de controlo passa a ser o quilo servido em vez da refeição. Com 14,90 €/kg de venda (13,19 € líquidos) e 5,20 € de custo de matéria-prima por quilo, o food cost é de 39,4%. Ao peso o risco da dose é do cliente, por isso costuma ficar na parte baixa do intervalo.
Vale a pena pesar a sobra todos os dias?
Vale, e é a medida que se paga mais depressa. Oito quilos por dia a 3,60 € de custo médio por quilo são quase 700 € por mês. Basta uma balança à saída da cozinha e uma folha na parede; numa semana já sabe que família sobra sempre e a que horas.
De quanto em quanto tempo se deve contar o stock?
O armazém completo uma vez por mês, sempre no mesmo dia e com o mesmo critério, porque se mudar o critério o food cost deixa de ser comparável. As câmaras e a proteína, semanalmente. Com contagem por código de barras pelo telemóvel, o armazém de um self-service fecha-se em menos de uma hora.