Calcule seu CMV no app

A fórmula, um exemplo com números reais e as faixas de cada segmento. Faça a contagem de estoque pelo celular e o CMV sai pronto.

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A fórmula

CMV é o Custo da Mercadoria Vendida — o custo do que realmente saiu no período. Não é o quanto você comprou:

CMV (R$) = Estoque inicial + Compras do período − Estoque final
CMV (%) = ( CMV em R$ ÷ Receita do período ) × 100

Repare num detalhe: dois dos três termos são contagens físicas. Não são dados que saem do sistema — é gente contando prateleira. É por isso que CMV errado quase nunca é problema de fórmula.

Os quatro números, e onde buscar cada um

1

Estoque inicial. Contagem física do primeiro dia do período, valorizada a custo de compra. Se você fechou o mês anterior, é o estoque final dele.

2

Compras do período. Soma de todas as notas fiscais de entrada no intervalo. Nota que ficou na gaveta infla o CMV do mês seguinte e desinfla o deste.

3

Estoque final. Contagem física do último dia, com o mesmo critério da primeira. Se uma pessoa contou caixa fechada e outra contou unidade, o número mente.

4

Receita do período. Faturamento do mesmo intervalo exato. Comparar estoque de 30 dias com venda de 28 já distorce o percentual.

Um exemplo com números

Restaurante, fechamento do mês

Estoque inicialR$ 12.000
+ Compras do períodoR$ 48.000
− Estoque finalR$ 10.000
= CMV em reaisR$ 50.000
Receita do períodoR$ 150.000
= CMV percentual33,3%

Saíram R$ 50.000 de mercadoria para gerar R$ 150.000 de venda. Um terço do faturamento virou custo de insumo — dentro da faixa de um restaurante à la carte, que costuma ficar entre 28% e 35%.

CMV bom e CMV ruim, por segmento

Não existe um número certo para todo mundo. Um bar saudável e um açougue saudável têm CMV completamente diferente, e comparar os dois leva a decisão errada. Por isso a tabela está separada em quem transforma o insumo e quem revende o produto como comprou.

Quem transforma — cozinha, bar, padaria

SegmentoBomNormalAcenda o alerta
Cafeteriaaté 25%25 – 30%acima de 32%
Bar / botecoaté 28%28 – 32%acima de 35%
Pizzariaaté 28%28 – 32%acima de 35%
Hamburgueriaaté 30%30 – 35%acima de 38%
Restaurante à la carteaté 30%30 – 35%acima de 38%
Padaria / confeitariaaté 32%32 – 38%acima de 40%
Marmitaria / self-serviceaté 33%33 – 38%acima de 42%
Churrascariaaté 35%35 – 40%acima de 43%

Quem revende — adega, mercado, açougue, distribuidora

Aqui o CMV é alto por natureza, e isso não é problema: o produto sai da prateleira do jeito que entrou. O lucro vem do giro, não da margem por item. Um mercadinho com CMV de 30% não é eficiente — é um erro de contagem.

SegmentoBomNormalAcenda o alerta
Adegaaté 62%62 – 70%acima de 74%
Loja de conveniênciaaté 68%68 – 75%acima de 78%
Mercado / minimercadoaté 70%70 – 76%acima de 80%
Açougueaté 72%72 – 80%acima de 84%
Distribuidora / depósito de bebidasaté 78%78 – 85%acima de 88%

Faixas de referência do setor, para orientação. A média geral do food service brasileiro fica em 34,3% — ABF/Galunion, Pesquisa Anual Setorial de Foodservice 2024, com 64 marcas e 11.260 pontos de venda.

A variação vale mais que o número. Se o seu CMV mexeu 3 pontos de um mês para o outro sem que preço de compra, cardápio ou mix de venda tenham mudado, o problema não é margem — é contagem ou perda. Um restaurante estável em 34% está numa situação melhor do que um que oscila entre 29% e 37%, mesmo que a média dos dois seja parecida.

O CMV veio no vermelho. E agora?

Nessa ordem, porque cada etapa elimina uma causa antes da seguinte:

  1. Confira as duas contagens. Mesmo critério, mesma unidade, de preferência a mesma pessoa. É aqui que está a maioria dos sustos.
  2. Confira as notas. Compra não lançada joga custo pro mês errado. Nota lançada duas vezes faz o mesmo ao contrário.
  3. Compare consumo teórico com consumo real. O que a venda diz que deveria ter saído, pela ficha técnica, contra o que a contagem diz que saiu. A diferença é perda, quebra, dose mal servida ou furto.
  4. Ataque os itens que pesam. Normalmente 10 itens explicam 70% do custo. Corrigir a porção do chope resolve mais que renegociar o guardanapo.
  5. Só então mexa em preço ou fornecedor. Trocar de fornecedor por causa de um CMV que era erro de contagem é a forma mais cara de resolver o problema errado.

Por que o CMV feito à mão quase sempre erra

A fórmula tem três linhas. O trabalho por trás dela é que não fecha:

  1. A contagem demora e cansa. Centenas de itens no papel, depois digitados na planilha à noite. O erro de dedo é questão de tempo.
  2. O mesmo item vira três. "Heineken 600", "Heineken 600ml" e "Cerveja Heineken" são o mesmo produto, e o consumo se perde entre eles.
  3. As notas entram na unha. Cada compra digitada de novo, item por item, com o preço certo.
  4. Estoque final estimado. Quando alguém "chuta" a prateleira no fim do mês, o CMV oscila sem que nada tenha mudado na operação.
  5. O número não diz onde. A conta mostra que faltam R$ 3.000. Não mostra se foi perda, quebra, dose mal servida ou furto — nem em qual item.
Se o seu CMV veio estranho, olhe a contagem antes de olhar o preço. Trocar de fornecedor por causa de um CMV que na verdade era erro de contagem é o jeito mais caro de resolver o problema errado.

Na mise o CMV sai sozinho

Não tem planilha, não tem digitação e não tem cálculo manual. O fluxo é este:

1

Você conta escaneando o código de barras. A câmera do celular é o leitor. O produto é reconhecido numa base com milhões de itens brasileiros — nome, marca, categoria e NCM já vêm preenchidos pela IA. Você não cadastra nada.

2

As notas fiscais entram por XML, PDF ou foto. A mise lê com IA e dá entrada nos produtos. As compras do período se somam sozinhas.

3

O que não tem código de barras, você pesa. Balança Bluetooth conectada ao app: carne, granel e garrafa aberta entram no peso exato, sem chute.

4

O CMV do período sai pronto — junto com a comparação entre as contagens, que mostra onde o estoque sumiu, item por item. Exporte em Excel, PDF, e-mail ou direto para o ERP.

É a diferença entre saber o número e saber o que fazer com ele. A conta manual entrega um percentual no fim do mês. A mise entrega o percentual e a lista de itens que explicam o percentual — que é o que permite agir antes do próximo fechamento.

Quanto custa

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