Folha de cálculo de gestão de stocks: onde funciona — e onde parte
Por mise · Atualizado em 30/09/2026
Resposta rápida: uma folha de cálculo de gestão de stocks precisa, no mínimo, de código, produto, unidade, stock inicial, entradas, saídas, saldo e custo unitário. Funciona até cerca de 200 referências e uma contagem por mês; acima disso, o tempo de contagem e os erros de digitação passam a ser o problema. Mais abaixo tens o modelo em Excel (5 folhas, com fórmulas) para transferir e a estrutura completa, caso prefiras montar a tua.
Todo o restaurante e todo o bar começa numa folha de cálculo. Cumpre o papel no início, mas tem um teto — e conhecer esse teto evita passar meses a decidir com o número errado.
As cinco folhas do modelo (para copiar ou montar de raiz)
O ficheiro tem cinco folhas e nenhuma delas é decorativa. Esta é a estrutura exata, caso queiras reproduzi-la no teu português:
| Folha | O que tem |
|---|---|
| Lê-me | Instruções de utilização e ordem de preenchimento |
| Produtos | Código de barras · Produto · Grupo · Unidade (un/kg/L) · Custo unitário · Stock mínimo · Fornecedor |
| Contagem | Data · Código de barras · Produto · Quantidade · Custo unitário · Valor · Observações |
| Entradas e saídas | Data · Código de barras · Produto · Tipo · Quantidade · Custo unitário · Valor |
| Food cost | Stock inicial + compras − stock final, a dividir pelas vendas do período |
O truque está em que as folhas de Contagem e de Entradas e saídas não se preenchem todas à mão: escreves o código de barras e um PROCV traz o nome e o custo da folha de Produtos. É o que evita que o mesmo artigo apareça com três nomes diferentes. Se montares a tua, começa por aí.
O modelo mínimo de colunas (se for para usar uma folha, usa-a bem)
| Coluna | Para quê |
|---|---|
| Código / Nome do artigo | Identificação única (evita ter "Vodka" três vezes com nomes diferentes) |
| Unidade | un, kg, L, caixa — sempre a mesma, normalizada |
| Categoria | Bebidas, carnes, secos, limpeza… (agrupa a análise) |
| Stock inicial | Contagem do início do período |
| Entradas | Compras do período (saem das faturas e guias de remessa) |
| Stock final | Contagem do fim do período |
| Consumo teórico × real | Inicial + entradas − final = consumo; compara com o que foi vendido |
| Custo unitário | Para transformar quantidade em € e fechar o food cost |
| Stock mínimo | Para saber quando encomendar sem ficar em rutura (ponto de encomenda) |
Onde a folha de cálculo parte
- Digitação: cada contagem são centenas de células escritas à mão — horas de trabalho e erro de dedo garantido;
- Identificação: "Super Bock 33", "Super Bock 33cl" e "Cerveja Super Bock" acabam como três artigos e o consumo dilui-se pelos três;
- Faturas: cada compra tem de ser digitada outra vez, linha a linha, com a guia de remessa ao lado;
- Fórmulas: alguém insere uma linha, o intervalo fica curto e ninguém dá por isso até o food cost sair absurdo;
- Contagem a dois: se duas pessoas contam ao mesmo tempo em duas cópias do ficheiro, uma delas perde o trabalho;
- Ninguém investiga: a folha mostra um número, não mostra onde é que o stock desapareceu.
Como fazer a contagem para a folha não mentir
- Conta sempre com a casa fechada, antes de abrir ou depois de fechar: se entrar mercadoria a meio da contagem, o número deixa de valer;
- Percorre sempre pela mesma ordem — câmara, congelador, armazém seco, balcão, esplanada — para não contar duas vezes nem saltar uma prateleira;
- Uma unidade por artigo e sempre a mesma: se o azeite é em litros, nunca em garrafões;
- As garrafas abertas anotam-se como fração (meia garrafa é 0,5), não se arredondam para uma;
- Fecha a contagem no próprio dia e guarda uma cópia com a data no nome: sem histórico não há comparação e sem comparação não há quebra.
Lê o código, conta e exporta para Excel quando quiseres. Grátis, sem cartão.
Criar conta grátisO que só a mise faz
A mise é a única app de stocks em que só ler o código de barras já devolve o produto completo e classificado — nome, marca, grupo, subgrupo, categoria, unidade e peso —, porque a IA da mise o encontra pelo código de barras ou por fotografia. E se o produto não estiver na base, a IA encontra-o na hora e classifica-o. Em Portugal esse código começa normalmente por 560, o prefixo GS1 do país, e é exatamente isto que uma folha de cálculo nunca vai fazer por ti: a folha guarda o que escreves; a app sabe o que é aquilo que acabaste de ler.
Porque é que a média do setor não serve para os teus stocks
Os números de food cost que circulam com fonte pública são de outros mercados: nos Estados Unidos a National Restaurant Association situa a mediana em 32,0% em serviço completo, e no Brasil a ABF com a Galunion mede 34,3%. São cabazes de compra e preços de ementa diferentes, por isso servem para situar, nunca como objetivo próprio.
O erro clássico é perseguir o número dos outros. O que funciona é medir o teu com uma contagem real, comparar contigo próprio mês a mês e agir sobre o artigo que mais pesa — não sobre a média. Para isso a folha de cálculo serve perfeitamente no primeiro trimestre; a partir daí, o que decide é quanto tempo demoras a contar.
Fontes: National Restaurant Association, Restaurant Operations Data Abstract 2024 (Estados Unidos) · ABF/Galunion, Pesquisa Anual Setorial de Foodservice 2024, 64 marcas e 11.260 pontos de venda (Brasil).
Perguntas frequentes
A folha que se transfere está em português de Portugal?
Sim. O ficheiro (.xlsx) está em português de Portugal — stock, folha, fornecedor, custo em euros e CMVMC —, sem macros e sem pedir e-mail. Abre no Excel, no Google Sheets e no LibreOffice.
Quantos artigos aguenta uma folha de cálculo?
Cerca de 200, com uma contagem por mês. O limite não é técnico — o Excel aguenta milhares de linhas — é humano: a partir daí a contagem torna-se longa, demora a passar a limpo e os erros de digitação começam a mexer mais no food cost do que as compras.
Que colunas são mesmo indispensáveis?
Código, produto, unidade, categoria, stock inicial, entradas, stock final e custo unitário. Com estas oito já calculas consumo e food cost. Acrescentar stock mínimo e fornecedor custa pouco e poupa-te as ruturas de sexta-feira.
Posso ter os stocks no Excel e o food cost noutro lado?
Podes, mas paga-se caro: dois ficheiros diferentes acabam com duas listas de artigos diferentes e os números deixam de bater. É melhor uma única fonte de dados, seja a folha ou a app, e exportar de lá o que a contabilidade precisar.
Quando é que está na altura de largar a folha de cálculo?
Quando se verifica qualquer uma destas três: passas das 100 referências, contas mais do que uma vez por mês ou precisas que duas pessoas contem ao mesmo tempo. Nesse ponto a folha já não poupa dinheiro, consome-o em horas de trabalho.
A mise substitui o Excel ou convive com ele?
Convive. A contagem faz-se a ler os códigos no telemóvel e depois exporta-se tudo para Excel com um clique: a folha continua a existir, mas como relatório que se lê, não como formulário que se preenche. Começar é grátis e não pede cartão.